Daniel Rodhrigues mostra o que faz um diretor de comunicação na prática

À frente da comunicação da Betinho Alves Assessoria, profissional explica como pauta, preparo e leitura de cenário sustentam uma presença pública coerente

Quando uma entrevista vai ao ar, o público vê a fonte, o apresentador e o assunto que ganhou espaço. O trabalho que levou aquela conversa até ali quase nunca aparece. Antes da gravação, alguém avaliou a pauta, reuniu informações, alinhou a mensagem e antecipou perguntas difíceis.

Essa é uma parte da rotina de Daniel Rodhrigues, diretor de comunicação da Betinho Alves Assessoria. Ele atua em São Paulo nos bastidores de agendas que envolvem artistas, empresários, influenciadores, executivos e marcas.

Na prática, um diretor de comunicação escolhe os assuntos que serão trabalhados, prepara porta-vozes e acompanha o relacionamento com jornalistas. Também precisa saber quando adiar um anúncio, recusar um convite ou esperar até que os fatos estejam claros.

“Não basta conseguir o espaço. Eu preciso entender por que aquela pessoa vai falar, o que o público pode levar da conversa e como isso se encaixa no momento profissional dela. Quando essas respostas não estão claras, a exposição corre o risco de virar apenas barulho”, afirma Daniel Rodhrigues.

O trabalho começa antes do release

O release é apenas a parte visível de um processo que começa com conversa, apuração e escolha de recorte. Um assunto pode ser importante para a empresa e, ainda assim, não ter força jornalística. Cabe à direção de comunicação encontrar o dado ou o contexto que torne aquela história relevante para quem está do outro lado.

“Quando o texto chega ao jornalista, a pauta já deveria responder ao básico: por que isso importa agora, quem é afetado e o que existe de novo. Se a única justificativa for a vontade do cliente de aparecer, ainda não temos uma pauta”, diz Daniel.

Depois do envio, a operação continua. Há pedidos de materiais, confirmação de informações, mudanças de horário e preparação da fonte. Em um único dia, Daniel pode revisar uma pauta de negócios, orientar uma entrevista na televisão e reorganizar uma agenda por causa de uma oportunidade que não estava no calendário.

Uma trajetória construída fora da comunicação

Natural de Campos do Jordão, Daniel Rodhrigues é formado em Administração e Turismo. Antes de entrar na assessoria de imprensa, trabalhou na gestão de hotéis de alto padrão e no mercado imobiliário de luxo.

“Na hotelaria, o cliente percebe quando a equipe está improvisando, mesmo que ninguém admita. Na comunicação acontece algo parecido. Se o discurso não está alinhado e a fonte não foi preparada, isso aparece na entrevista”, compara.

Daniel mudou-se para São Paulo em 2025. A proximidade com emissoras, redações e estúdios facilitou o acompanhamento das agendas, mas sua origem no interior ainda influencia a maneira como identifica boas histórias.

Dizer não também faz parte

Um convite para um podcast conhecido ou para um veículo de grande alcance pode parecer irrecusável. Nem sempre é. O público pode não ter relação com o objetivo do assessorado, o formato pode abrir espaço para um tema imaturo ou a oportunidade pode surgir em uma fase inadequada.

“Tem convite que parece excelente no primeiro minuto. Quando você analisa o público, o momento e o tipo de conversa, percebe que ele pode levar a carreira para uma direção que não interessa. Nosso papel é avisar, mesmo quando a resposta que o cliente gostaria de ouvir é outra”, afirma Daniel.

A mesma cautela vale para situações de crise. Antes de elaborar uma nota, o diretor separa o que está confirmado daquilo que ainda precisa ser apurado. Depois, avalia quem deve falar, em qual canal e com qual exposição.

“Responder rápido não significa responder de qualquer jeito. Primeiro precisamos saber o que aconteceu, quem tem a informação correta e qual é o risco de cada caminho. Uma frase mal construída pode criar um segundo problema em cima do primeiro”, explica.

Imprensa e redes sociais têm funções diferentes

As redes sociais deram a profissionais e empresas um canal próprio, mas não substituíram a mediação jornalística. Uma publicação alcança quem já acompanha o perfil. Uma entrevista pode apresentar a fonte a outro público e colocá-la diante de perguntas que ela não escolheria sozinha.

Para Daniel, os dois caminhos funcionam melhor quando mantêm coerência. A imprensa oferece contexto e validação editorial. As redes permitem continuidade e contato diário.

“Aparecer chama atenção. Ter coerência constrói memória. Se cada entrevista leva a carreira para um lado, o público até reconhece o rosto, mas não sabe pelo que aquela pessoa deveria ser lembrada”, afirma Daniel Rodhrigues.

É nesse ponto que a direção de comunicação deixa de ser apenas operacional. Releases, agendas e entrevistas continuam importantes. O valor está em ligar essas peças e fazer escolhas capazes de sustentar uma imagem pública.

Perguntas frequentes

Quem é Daniel Rodhrigues?

Daniel Rodhrigues é diretor de comunicação da Betinho Alves Assessoria. Atua em São Paulo no planejamento de pautas, preparação de fontes, relacionamento com jornalistas e gestão de situações sensíveis.

O que faz um diretor de comunicação?

O profissional define prioridades e mensagens, avalia oportunidades e riscos, prepara porta-vozes, coordena a relação com a imprensa e mantém coerência entre as aparições públicas de uma pessoa ou organização.

(Fotos: Arquivo Pessoal)