Mais conectados ao mundo, exigentes e informados, novos clientes chegam aos escritórios com referências que atravessam países e uma expectativa cada vez maior por casas que respondam à sua própria maneira de viver.
O perfil de quem encomenda uma residência mudou. Viagens frequentes, acesso instantâneo ao que acontece internacionalmente, novas configurações familiares e uma rotina muito menos previsível transformaram também aquilo que se espera da arquitetura.
Para Camila Pimenta, uma das principais mudanças está no nível de repertório com que o cliente chega ao escritório.
“Hoje o cliente já viu muita coisa. O desafio não é simplesmente surpreendê-lo, é criar algo que ele ainda não viu e que, ao mesmo tempo, tenha absolutamente tudo a ver com ele.”
Isso torna o processo mais interessante e também mais complexo. Não basta reproduzir referências internacionais ou aplicar uma estética reconhecível. É preciso entender como aquela pessoa vive.

Há quem receba dezenas de pessoas em casa. Quem viaje durante boa parte do ano. Quem tenha uma coleção importante de arte. Famílias com crianças pequenas, empresários que trabalham de casa ou clientes que desejam transformar a residência em seu principal lugar de encontro.
O projeto passa a responder a essas particularidades.
“Duas pessoas podem me mostrar exatamente as mesmas referências e eu jamais faria a mesma casa para as duas.”
Esse novo cliente também procura acesso a um universo muito maior de possibilidades. Uma peça pode vir de uma galeria brasileira, de uma manufatura italiana, de um antiquário em Paris ou ser desenvolvida especialmente para aquela residência.

É nesse ponto que, segundo Camila, curadoria e repertório se tornam tão importantes quanto desenho.
“Meu trabalho não é mostrar ao cliente tudo o que existe. É conhecer o suficiente para saber o que, entre milhares de possibilidades, realmente pertence àquele projeto.”
E talvez seja justamente essa abundância de referências que esteja tornando a personalização ainda mais importante. Em um mundo no qual todos têm acesso às mesmas imagens, marcas e tendências, o verdadeiro desafio passou a ser construir espaços que não poderiam pertencer a qualquer pessoa.
“Quanto mais acesso temos às mesmas referências, mais importante se torna criar uma casa que só poderia pertencer àquela pessoa.”
(Crédito: Arquivo Pessoal)




